Erro
  • XML Parsing Error at 1:128. Error 4: not well-formed (invalid token)
  • XML Parsing Error at 1:146. Error 4: not well-formed (invalid token)

GAÚCHO BRASILEIRO (*)

Os Tradicionalistas têm apontado alguns caminhos para valorizar nossa identidade regional e nacional. Dois deles são bem claros: o conhecimento da História do Rio Grande do Sul é de bom nível  e nos CTGs,

o Peão Farroupilha ou a Primeira Prenda,  são exemplos de estudos e dedicação; e, em segundo lugar, a consciência de nossa brasilidade latente, irmanados aos nossos antepassados indígenas, africanos, açorianos, catarinenses, paranaenses e paulistas, principalmente. A chegada dos imigrantes alemães, poloneses e italianos, por exemplo, contribuiu para uma visão universal de confraternização e de múltiplas relações étnicas e familiares.


Comparando-se com muitos cursos superiores, é no meio tradicionalista que se desenha um estágio significativo de cidadania pelo conhecimento da História e pela valorização da cultura popular brasileira.
No Estado do Paraná centenas de CTGs estão espalhados em várias cidades. E não é por acaso. Existem elos de ligação muito mais profundos do que imaginamos. Muitos dos ancestrais do gaúcho partiram, no século XVIII, dos Campos Gerais, incluindo as cidades de Castro, Lapa e Curitiba para as campinas da fronteira e da serra gáucha.

Lá no Paraná (que na época pertencia ainda a São Paulo) já sabiam lidar com o gado bovino e eqüino em extensas fazendas, com paisagem bem parecida com a nossa. Campos abertos, araucárias, pastagem exuberante, erva-mate e muitos utensílios utilizados pelos fazendeiros e tropeiros de lá.


O coxunilho1 (pelego com o fundo trançado com a própria lã, sem o couro) já era peça importante da indumentária do paranaense muito antes dos portugueses delimitarem as fronteiras divisórias da Província de São Pedro. O lenço, a bota, o chapéu de aba larga também faziam parte da vida e da alma daquela gente pioneira e desbravadora. O pinhão, como aqui, alimentava a todos. A erva-mate sempre foi uma riqueza do Paraná que exportou por muito tempo para o nosso Rio Grande. E não podemos esquecer que o chimarrão é um dos símbolos do gaúcho...


A nossa relação com São Paulo é também significativa. Os caminhos que passavam pelo pampa ou aqui na parte meridional, serrana, onde eram conduzidas tropas imensas de mulas ou de gado bovino em direção a Sorocaba foi um  meio de transportar também cultura. Um vai-e-vem constante que perdurou até o início do século XX.

De lá também vieram elementos importantes que ajudaram na formação e na formatação desta imagem do gaúcho que conhecemos hoje: o facão sorocabano, o chapéu e a capa sorocabana, a mala de garupa, o feijão tropeiro, o carreteiro, a cangalha e muitos artigos de couro que por lá já eram comercializados. Além disto, a maioria das primeiras Sesmarias aqui do Rio Grande tinham como proprietários comerciantes paulistas de gado.

Os açorianos que vieram da Ilha de Santa Catarina (hoje, Florianópolis) e de Laguna, ajudaram no povoamento primitivo de nosso Estado e, com eles, muitos outros elementos foram trazidos e incorporados aos que já existiam por aqui. Palavras, música e dança e aquelas famosas colchas e ponchos de lã de Mostardas, são vestígios que os ilhéus deixaram por aqui. Lembremo-nos, também, da grande Fazenda Palmeira dos Ilhéus, aqui bem perto, na Criúva. Além disto, nomes como Rafael Pinto Bandeira e João de Magalhães, saídos de Laguna, são indicados como os primeiros defensores de nossas fronteiras, como a conhecida “tranqueira de Rio Pardo”.

Anna Ribeiro de Jesus, a Anita Garibaldi, heroína dos dois mundos, nascida no estado vizinho (em Laguna, Tubarão ou Lages?), faz parte de nossa História através da heróica Revolução Farroupilha. O planalto lageano, com sua paisagem campeira similar contribuiu para  estas relações visíveis e invisíveis.

Estes três exemplos incorporam a grande família do Sul, com características bem brasileiras. A dança biriva, hoje largamente ensinada em nossos CTGS embala jovens e velhos que gostam de conviver com nossa arte, folclore e tradição. A Genealogia é outro componente real destas combinações. Em quase todas as famílias aqui do Rio Grande, encontram-se ancestrais nos três Estados citados. Eu, pelo menos, tenho ancestrais em Laguna, Lages, Castro, Curitiba, Sorocaba e Itu. Os meus parentes distantes, os Irmãos Bertussi estão na mesma linhagem.

E o Adelar, com toda sua fama mudou para o Paraná onde é um dos artistas mais conhecidos e amados.  Da Mulada voltou para um dos lugares onde seus ancestrais viveram, se aquerenciaram, tropearam e criaram gado. Vejam como tem certas coisas que passam despercebidas.... Ainda bem, que sempre encontramos gente que é apaixonada pela cultura brasileira e nós com este jeito de viver temos consciência disto. Neste garrão de pátria temos orgulho que em nossa cultura muitos vestígios culturais de outras regiões do País ficaram incorporados a nossa “alma” de gaúcho”!


Luiz Antônio Alves

1- A moda-de-viola registrou a fuga do Brigadeiro Tobias de Aguiar de Sorocaba, em 1842, com os seguintes versos: “O nosso coroné Tobias,/ querendo se escapá,/ passo por Campo Largo/ de chilena e chiripá.

(*) artigo publicado no Jornal Querência, Nº 17, setembro/2009

 

Acesso Restrito

 

Noise Audio